Tília, carvalho e pereira: três respostas diferentes ao mesmo ferro
Em Portugal, a palavra talha faz pensar de imediato nos retábulos dourados das igrejas barrocas, trabalhados muitas vezes em castanho ou pinho. Para quem começa hoje a fazer ornamento à mão, porém, as três madeiras que mais ensinam são a tília, o carvalho e a pereira. Cada uma pede um ritmo diferente, e perceber porquê poupa muitas peças estragadas.
Tília
A tília é macia, de poro fino e muito homogénea. Quase não tem diferença entre lenho de primavera e de verão, por isso o ferro atravessa-a com a mesma resistência em todo o anel. Aceita pormenor pequeno, perdoa pequenos erros de direção e deixa superfícies lisas quando o gume está bem afinado. O defeito é o reverso da qualidade: por ser mole, esmaga-se com um ferro mal afiado e as fibras ficam levantadas em vez de cortadas.
Carvalho
O carvalho tem poro aberto, anéis marcados e raios medulares visíveis. É duro, pesa na mão e exige ferros com um bisel um pouco mais robusto. O fio salta com facilidade junto aos anéis, e o pormenor muito fino tende a partir. Funciona melhor com ornamento de desenho largo, folhagem de planos amplos e cortes decididos. Em troca, dura séculos e ganha uma cor profunda com óleo.
Pereira
A pereira é densa, de grão fino e cor rosada. Corta-se de forma limpa e crocante, segura arestas muito vivas e permite detalhe quase tão pequeno como na tília, mas com mais definição. É mais lenta de trabalhar e castiga ferros sem fio. Costuma ser a escolha para peças pequenas em que cada aresta tem de se ler com nitidez.
- Para aprender cortes e desenho: tília.
- Para ornamento largo e peças que vão ser muito usadas: carvalho.
- Para pormenor fino com arestas nítidas: pereira.
- Em qualquer caso, madeira bem seca e sem nós na zona do ornamento.